terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Conto de Fadas Cor de Rosa - Parte I - Começando pelo fim

Vitória sempre acreditou no amor, ela sempre acreditou nas pessoas, inclusive tinha certeza que existia o melhor dentro de cada um, e que quando as pessoas erravam não era proposital, elas estavam apenas fazendo o melhor que elas podiam com aquilo que sabiam e tinham.
Por sempre acreditar que o AMOR é a maior força do universo, sabia que ele poderia mudar e mover tudo, e que mesmo nos lugares mais frios e escuros ele estava lá, de uma forma diferente, mas sempre presente.
Foi quando um dia ela levou um choque: descobriu que o amor não era o principal pra algumas pessoas... começou a desconfiar que existiam outras forças, outras motivações e sentimentos que ainda não era capaz de entender, quem diria explicar...
Foi quando descobriu, e viu, que existem pessoas que não fazem errado pensando no melhor, elas querem fazer o que querem, independente do que isso implique, enxergou pessoas que pareciam gostar de fazer o mal, que se sentiam bem em poder enganar alguém...
Descobriu que as pessoas se aproveitam umas das outras, e sem inocência alguma... Ficou sabendo que nem todo mundo sente esse aperto no coração quando magoa alguém..

Foi como se o conto de fadas cor de rosa tivesse acabado, parece que o mundo perdeu um pouco o brilho... Parecia bobo, mas na verdade era dolorido... machucou, imaginar que nem todo mundo sente de verdade, que nem todo mundo vive a verdade...

Mas essa dor... esse espanto, em algum momento iria passar... Ela sabia disso...
O problema era sua cicatriz... e durante todos os seus próximos dias ela se perguntava: Em que nós realmente podemos acreditar?

quinta-feira, 27 de setembro de 2018



E de repente, no meio da tempestade, tudo começa a acalmar...

Como se a água agora toca a areia com amor, o vento soprasse mais devagar, as ondas quebrassem com delicadeza, o som vem de forma leve e toda a tensão que outrora imperava, dá lugar a paz...

O silencio chega, e é a hora de observar o que a fúria da tempestade deixou pra trás, o que a fúria da tempestade deixou pra nós...

É como se os pássaros tivessem chegando e o Sol pronto brilhar...

Imagina que loucura, tudo isso, somente dentro da alma de quem um dia não soube pra onde navegar...




terça-feira, 28 de agosto de 2018

Carpe Diem: Aproveite mais que o dia, aproveite o AGORA!


Imagem retirada de: goo.gl/QvVDDi


Muitas vezes ouvimos ou vemos a expressão Carpe Diem, mas depois que soube de onde ela veio e qual seu verdadeiro significado, acho muito pouco traduzir dessa forma algo tão profundo.
A expressão, que em tradução literal quer dizer “colha o dia” foi retirada de um poema de Horácio, um dos maiores poetas da Roma Antiga.

Quinto Horacio Flaco


No latim,

Carpe diem quam minimum credula postero.
Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi finem di dederint.
Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros.
Ut melius, quidquid erit, pati.
Seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam, quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare.
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida.
Aetas: carpe diem quam minimum credula postero.




"Colha o dia, confia o mínimo no amanhã.
Não perguntes, saber é proibido, o fim que os deuses darão a mim ou a você,
Leuconoe, com os adivinhos da Babilônia não brinque.
 É melhor apenas lidar com o que cruza o seu caminho.
Se muitos invernos Júpiter te dará ou se este é o último, que agora bate nas rochas da praia com as ondas do mar.
Tirreno: seja sábio, beba seu vinho e para o curto prazo reescale suas esperanças.
Mesmo enquanto falamos, o tempo ciumento está fugindo de nós.
Colha o dia, confia o mínimo no amanhã.
Podemos sempre ser melhores. Basta pensarmos melhor."



Mais do que apenas "aproveitar o dia", ao meu ver, o autor dá um conselho precioso, diz pra aproveitar o dia de hoje, o momento presente, aproveitar o agora. Ele diz "não perguntes, saber é proibido...", ou seja, não fique procurando pelo futuro que ainda virá.
Leuconoe é com quem ele está falando, e ele diz pra não brincar com os adivinhos da Babilônia, que seria o mesmo que dizer, não consulte a astrologia, numerologia, uma referência a qualquer adivinhação, forma de prever o futuro.

Ainda cita "Se muitos invernos Júpiter te dará" (vale lembrar aqui que ao contrário de nós, que contamos nossos aniversários em primaveras, os romanos contavam em invernos), "o tempo ciumento está fugindo de nós, colha o dia, confia o mínimo no amanhã", ou seja, não importa se você vai ter mais muitos anos de vida, ou pouco tempo aqui, aproveite o agora, viva no presente, porque sempre poderemos ser melhores, basta pensar melhor"

É incrível como algo escrito A.C. pode ser tão atual, nunca se falou tanto sobre estar no AGORA, sobre viver o PRESENTE, fazendo o melhor que você pode, no aqui, e agora!




CARPE DIEM...

domingo, 14 de janeiro de 2018

Maria, a girafa


Maria era uma girafa, ela era muito feliz, tinha família e amigos, adorava passear, sair e se divertir, ela era espontânea e gostava muito de conversar, fazer as pessoas rirem, ela era estabanada e atrapalhada, mas sempre queria ver todos a sua volta muito bens e felizes. Ela acreditava que o amor era o que movia o mundo, que o amor era a razão de tudo e de amor, ela vivia.

Maria até encontrou uma outra girafa, "mas que girafa incrível!" os olhinhos dela brilharam, seguiram a caminhada juntos dali em diante.
Em determinado momento, as duas girafas já não estavam se entendendo tão bem: Maria se sentia muito triste, porque ela não era boa suficiente, Maria era estabanada, em momentos de brigas ela não sabia a melhor resposta a dar, ela não sabia cuidar de seu bando, ela não sabia fazer feliz, ela não era boa o suficiente e se sentia a cada dia mais triste por isso. Ela via nos olhos da outra girafa: as coisas não iam bem, ela não era exatamente aquela girafa que talvez se tivesse imaginado.

Ela ficou muito triste porque sabia o quanto tinha defeitos e realmente, ela não sabia ser certa o tempo todo, ela errava e errava com frequência, o tempo todo. Ela começou a se sentir mal, se sentir uma girafa muito ruim... ela já não tinha orgulho do que era, porque não conseguia fazer aquilo que mais amava: dar amor. Ela se sentiu egoista, se sentiu manipuladora, se sentiu relaxada, se sentiu destrambelhada e sentia como se não fosse mais capaz de ser admirada, como se não atendesse mais aquilo que esperavam, ela pensava até que poderia ter dado pistas e sinais para que tivessem construído uma imagem dela, que não existia na realidade.

A verdade era uma só: Maria era cheia de defeitos, e isso estava doendo muito dentro dela. Cada vez que Maria tomava folego e resolvia que ia se dedicar e conseguiria dar seu melhor, ela seria perfeita novamente, algo acontecia, ela errava, ela era rude, era grossa, agia errado e não conseguia mais uma vez acertar. No começo ela imaginava que tudo isso era uma fase e ia passar, mas depois de vários episódios e tentativas, Maria começou a se convencer de que realmente, ela não conseguiria mais do que aquilo, ela já não se amava mais como antes, ela tinha medo, medo de errar, medo do monstro que ela percebeu ser, medo de nunca fazer nada certo, medo de não ter admiração de ninguém, medo de que ninguém pudesse gostar dela... Ela se sentiu insegura e não sabia mais o que fazer.


Então, Maria se perdeu, não sabia mais o motivo de estar vivendo, ela sentia que não fazia nada certo, não sabia como fazer as coisas, ela não tinha jeito, ela errava mais do que acertava, ela não sabia ouvir críticas e sabe do pior? ela nem sabia mais do que ela sabia, ela não sabia mais quem era e muito menos quem ela poderia ser...

Ela não sabia o que era certo fazer e nem o que seria dali pra frente. Ela sentia vontade de ser uma girafa sozinha, sem bando, porque assim não traria mais sofrimento e tristeza a ninguém.

Ela não se conformava, pois sua vida era o amor, e agora, ela não conseguia mais viver disso. Ela não sabia mais o quanto era amorosa e quanto seria o suficiente, ela não sabia se era compreensiva, não sabia se era organizada, não tinha jeito com as coisas, ela não sabia mais como poderia dar amor ao mundo, ela não sabia mais como fazer o mundo, que ela tanto amava, rir, ela não sabia mais o que ela era e o que aconteceu com o que ela foi.

A única solução que Maria encontrou, foi se retirar, ser sozinha, pra não magoar.

Será que um dia Maria poderia saber "Mariar"? ...